Glória do Ribatejo em festa (sábado 25.08.2012)

Agosto 25, 2012

Destaques de hoje: 16h00 tradicional cerimónia do hastear da bandeira nacional, 17h30 abertura da exposição “o trabalho de farnel aviado” no museu etnográfico, 22h45 concerto com os Némanus no palco principal (P.1), 23h00 concerto com os The Pilinha no palco jovem (P.2), 00h30 grandiosa sessão de fogo de artifício.


Exposição “O trabalho de farnel aviado”

Agosto 25, 2012

Longe vão os tempos em que os camponeses partiam a pé para os campos com um avio para quinze dias longe de casa. No saco levavam pão, batatas, azeite e bacalhau…No sábado, 25 de Agosto, a exposição “O trabalho de farnel aviado”, no Museu Etnográfico da Glória do Ribatejo, concelho de Salvaterra de Magos vai permitir perceber as diferenças entre o que se passava antigamente e o que se passa agora. Nas décadas de 20, 30 e 40, os trabalhadores da Glória do Ribatejo partiam durante 15 ou mais dias para trabalharem nos campos. As mulheres levavam o avio à cabeça ou na ilharga. Os homens colocavam a comida nos alforges que carregavam depois ao ombro. O farnel consistia em pão, batata, azeite e bacalhau. Às vezes, os trabalhadores conseguiam comprar um pouco de peixe ou carne aos almocreves. No campo, preparavam as refeições numa panela que prendiam a algumas estacas, sobre o lume…A exposição na Glória do Ribatejo evoca trabalho no campo entre década de 30 e 70.  exposição “O trabalho de farnel aviado”, organizado pela Associação para a Defesa do Património Etnográfico e Cultural de Glória do Ribatejo (ADPEC), que vai estar patente no Museu Etnográfico da Glória, retrata a ida dos trabalhadores glorianos para os campos agrícolas da região entre a década de 30 e os anos 70. Eram os capatazes que contratavam os trabalhadores. O contrato verbal de trabalho entre o homem e o capataz chamava-se “molhadura” e consistia no pagamento de um copo de vinho. As mulheres recebiam linhas de várias cores para bordarem. Para irem para os campos, às vezes percorriam 15 ou 40 quilómetros a pé. Levavam farnel para 15 dias de trabalho e dormiam num quartel isolado de outros grupos para evitarem influências do exterior. Trabalhavam do nascer ao pôr do sol e à noite ainda restavam forças para bordarem ou improvisarem um pequeno baile. Já na década de 60, com a melhoria das redes viárias, os trabalhadores passaram a ir diariamente em camionetas trazidas pelos capatazes para os campos, regressando à noite. Na década de 70 aparece a cultura do tomate que mobiliza cada vez mais pessoas. A exposição termina com rastos de uma ruralidade que está a desaparecer e que representa idosos com 70 e 80 anos que ainda estão ligados à terra. A exposição contou com a contribuição de cerca de 50 pessoas que cederam objectos e fotografias. Vai estar patente no museu durante cerca de um ano.

in O Mirante