Exposição “O trabalho de farnel aviado”

Longe vão os tempos em que os camponeses partiam a pé para os campos com um avio para quinze dias longe de casa. No saco levavam pão, batatas, azeite e bacalhau…No sábado, 25 de Agosto, a exposição “O trabalho de farnel aviado”, no Museu Etnográfico da Glória do Ribatejo, concelho de Salvaterra de Magos vai permitir perceber as diferenças entre o que se passava antigamente e o que se passa agora. Nas décadas de 20, 30 e 40, os trabalhadores da Glória do Ribatejo partiam durante 15 ou mais dias para trabalharem nos campos. As mulheres levavam o avio à cabeça ou na ilharga. Os homens colocavam a comida nos alforges que carregavam depois ao ombro. O farnel consistia em pão, batata, azeite e bacalhau. Às vezes, os trabalhadores conseguiam comprar um pouco de peixe ou carne aos almocreves. No campo, preparavam as refeições numa panela que prendiam a algumas estacas, sobre o lume…A exposição na Glória do Ribatejo evoca trabalho no campo entre década de 30 e 70.  exposição “O trabalho de farnel aviado”, organizado pela Associação para a Defesa do Património Etnográfico e Cultural de Glória do Ribatejo (ADPEC), que vai estar patente no Museu Etnográfico da Glória, retrata a ida dos trabalhadores glorianos para os campos agrícolas da região entre a década de 30 e os anos 70. Eram os capatazes que contratavam os trabalhadores. O contrato verbal de trabalho entre o homem e o capataz chamava-se “molhadura” e consistia no pagamento de um copo de vinho. As mulheres recebiam linhas de várias cores para bordarem. Para irem para os campos, às vezes percorriam 15 ou 40 quilómetros a pé. Levavam farnel para 15 dias de trabalho e dormiam num quartel isolado de outros grupos para evitarem influências do exterior. Trabalhavam do nascer ao pôr do sol e à noite ainda restavam forças para bordarem ou improvisarem um pequeno baile. Já na década de 60, com a melhoria das redes viárias, os trabalhadores passaram a ir diariamente em camionetas trazidas pelos capatazes para os campos, regressando à noite. Na década de 70 aparece a cultura do tomate que mobiliza cada vez mais pessoas. A exposição termina com rastos de uma ruralidade que está a desaparecer e que representa idosos com 70 e 80 anos que ainda estão ligados à terra. A exposição contou com a contribuição de cerca de 50 pessoas que cederam objectos e fotografias. Vai estar patente no museu durante cerca de um ano.

in O Mirante

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