Rato de Cabrera vale 6,9 milhões de euros

Julho 8, 2009

Mede entre 11,6 e 13 centímetros, tem pêlo comprido castanho-amarelado. Dá pelo nome científico Microtus cabrerae e a sua preservação vai custar cerca de 6,9 milhões de euros, correspondentes a um centésimo do investimento total numa estrada no Alentejo. Mas, ao contrário do que aconteceu este ano em Trás-os-Montes, onde quiseram atribuir a este rato minúsculo as culpas pela desistência da construção de uma estrada, aqui a via vai mesmo avançar. No projectado IP8, perto de Santiago do Cacém, os requisitos do Ministério do Ambiente implicam a construção de três viadutos sobre as colónias de ratos de Cabrera, o único roedor que só existe na Península Ibérica e espécie considerada prioritária pela directiva Habitats (ver caixa no final do texto). Num troço de 15 quilómetros, entre Roncão e Grândola Sul, dois dos viadutos projectados têm 200 metros de comprimento e o outro 175. Os três têm uma largura de 30 metros e serão construídos a uma altura do solo entre um mínimo de 2,5 metros e um máximo de 13 metros. Tomando por base um preço de construção de €400 por metro quadrado, serão gastos cerca de 6,9 milhões de euros – valor estimativo adiantado ao Expresso por duas empresas do sector. E quem paga? “O condicionamento da estrada à salvaguarda desta espécie protegida partiu de outro Governo, logo, os custos também”, disse fonte oficial do Ministério do Ambiente. “A alteração das propostas associadas emanaram da Estradas de Portugal e não do Ministério ou do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade”, acrescentou a mesma fonte. O custo destas medidas será, tal como todo o projecto, suportado pelo promotor do projecto, Estradas de Portugal, uma empresa estatal, “já que as mesmas são condição essencial para o seu desenvolvimento”. No fundo, pagamos todos. “Não tenho dados para saber se os três viadutos se justificam. Um é importante porque serve de ensaio. Os outros dois têm de ser vistos no local”, explica António Mira, professor de Biologia na Universidade de Évora e especialista em roedores. É preciso saber se a estrada constitui uma barreira e se a existência de alcatrão impede o atravessamento por parte do roedor. “A estrada tanto é causa de morte para o rato de Cabrera como refúgio”, salienta António Mira. “Muitas vezes é na berma que existe espaço não ocupado pela agricultura, coberto por vegetação alta e onde a valeta permite uma maior humidade do solo, condições favoráveis para o Cabrera”, acrescentou. Por outro lado, considera que os viadutos de pouco servirão se durante as obras não forem tomados os cuidados necessários para não destruir os habitats. Por isso, considera que deveriam ser ensaiadas “pequenas translocações de animais para parcelas de habitat que estejam próximas”. A separação das colónias de roedores pelo efeito barreira das estradas e a não comunicação entre os indivíduos são causa de declínio, adverte. Uma opinião secundada por Samuel Infante, presidente do núcleo da Quercus de Castelo Branco. Sem conhecer a fundo o processo, Infante admite que as medidas mitigadoras propostas para o IP8 possam ter alguma “desproporcionalidade” se disserem apenas respeito ao rato de Cabrera. O IP8 foi integrado na concessão do Baixo Alentejo, adjudicada a 31 de Janeiro deste ano ao consórcio Estradas da Planície, composto pela Edifer, Conduril, Tecnovia e as espanholas Dragados e Iridium. São 334 km de estradas entre Sines, Beja, Castro Verde e Évora, dos quais 124 km são de construção nova e terão portagem. O investimento total na concessão é de ¤690 milhões. “Estes aspectos ambientais são dados habituais nos projectos de infra-estruturas desde há vários anos e a proposta que apresentámos considerava-os”, disse fonte do consórcio. “Porque nesta fase decorrem os trabalhos de finalização do projecto de execução, só depois do este estar concluído e aprovado poderemos confirmar se o projecto inicial se manteve”, acrescentou. Espécie ameaçada: O rato de Cabrera está classificado como “vulnerável”, o grau de risco mais baixo. Isto significa que “se as condições actuais se mantiverem o animal corre risco de extinção”, explica António Mira. É o único roedor endémico da Península Ibérica e em Portugal encontra-se sobretudo no litoral alentejano, Ribatejo, Beira Interior e Douro Internacional. Não existe uma estimativa de população, mas admite-se que está em declínio, até porque ocupa menos de 2000 km2. Zonas de erva abundante e alta com bastante humidade no solo, juncais e prados são o seu habitat preferencial. “Portugal e Espanha têm a responsabilidade mundial de preservar esta espécie”, salientou o professor. “Faz falta um inventário nacional do rato de Cabrera”, não só para preservar a espécie mas também planear as estradas.

in Expresso


O Adeus a Michael Jackson

Julho 8, 2009

O testemunho de Paris Katherine Jackson, a filha de Michael Jackson , foi o momento mais inesperado e emocionante da cerimónia de adeus ao rei da pop, ontem em Los Angeles. A menina de 11 anos subiu ao palco para afirmar que Michael Jackson foi “o melhor pai que se possa imaginar. E só queria dizer que o amo muito” , disse, antes de começar a chorar e procurar consolo nos braços da tia Janet Jackson. A intervenção levou a plateia às lágrimas. Recorde-se que Michael Jackson sempre escondeu os seus três filhos dos media; esta foi a primeira vez que o mundo viu Paris falar. Por seu turno, alguns dos melhores amigos de Michael Jackson não estiveram presentes na cerimónia. Diana Ross , que o cantor designou, no testamento, como segunda alternativa para a custódia dos filhos, escreveu uma carta que o cantor Smokey Robinson leu. “Estou a tentar fazer o luto, (…) estou aí em espírito. O Michael fazia parte da minha vida de uma forma que não consigo explicar em palavras”. Elizabeth Taylor também disse estar demasiado abalada para comparecer, ao contrário de Brooke Shields , que se emocionou ao contar que sempre se sentiu próxima de Michael Jackson porque ambos sabiam “o que é estar no centro das atenções desde muito cedo”. No final do espectáculo, a família Jackson agradeceu a todos os que assistiram ao vivo à cerimónia, no Staples Center, em Los Angeles. Um dos irmão de Michael, Marlon, lembrou “o ridículo” a que o malogrado cantor foi exposto, durante parte da sua vida, e afirmou esperar que “pelo menos agora” o rei da pop “encontre a paz” . A cerimónia foi vista por milhões em todo o mundo , quer na televisão quer na internet, cujo tráfego aumentou em mais de 30% durante a transmissão. Mariah Carey, Stevie Wonder, Lionel Richie, Usher e John Mayer foram alguns dos músicos que actuaram no evento. A emocional prestação de Jennifer Hudson em “Will You Be There” foi outro dos momentos mais marcantes. O corpo de Michael Jackson, num caixão de bronze , foi levado para lugar desconhecido. Tal como a causa directa da morte do cantor, aos 50 anos, o local onde Michael Jackson será enterrado não é, por enquanto, do conhecimento público.

in Blitz

Tributo a Michael Jackson – Reportagem SIC


Cartoon…

Julho 8, 2009

O Combate
Cartoon do António (in Expresso)