
Uma pastora de Melgaço que em 2005 ganhou 68.580 euros no Euromilhões gastou o dinheiro “quase todo” na compra de um Mercedes e continua diariamente a levar as suas 135 cabras a pastar no monte. “Há muito que o meu sonho era ter um Mercedes e a sorte no Euromilhões permitiu-me concretizar esse sonho. O dinheiro foi quase todo para o carro”, confessa, com simplicidade, Maria do Carmo Faria, 47 anos de idade, moradora em Fiães, concelho de Melgaço. Com a mesma simplicidade, Maria do Carmo acrescenta que “não se ajeita lá muito bem” com o Mercedes, “porque não tem travão de mão e é muito comprido”, e que, por isso, “não se desfez” do seu velhinho Opel, que continua a utilizar. “Faço assim: para ir às cabras, à missa ou fazer outras coisas aqui por perto, vou no Opel, e quando vou à vila ou faço uma viagem maiorzinha levo o Mercedes”, conta. Maria do Carmo foi premiada no sorteio de 12 de Agosto de 2005, mas só em Outubro é que se apercebeu que tinha um prémio para receber, já que nem se dera ao trabalho de conferir o boletim. Como se estava a esgotar o prazo para reclamação do prémio, o dono do quiosque decidiu pôr um anúncio no jornal da terra, que surtiu imediatamente efeito, até porque o pai de Maria do Carmo, que na altura tinha 81 anos, é assinante desse jornal. “Estava em casa a ler o jornal e aquilo chamou-me a atenção. O meu genro acabou também por ler e, pelo sim pelo não, foi conferir os boletins que tinha na gaveta. E não é que a sorte grande saiu mesmo à minha filha?”, referiu, na altura, emocionado, o octogenário. Maria do Carmo acertou nos cinco números da sorte (15-23-30-37-40), mas não teve pontaria para nenhuma das estrelas, o que lhe valeu o 3º prémio. Um prémio que, no entanto, não alterou em nada a rotina de Maria do Carmo, que todos os dias, de manhã, continua a levar as suas 135 cabras a pastar no monte, recolhendo-as ao final da tarde. O resto do dia dedica-o às lides da casa e a tratar da horta. “Claro que o dinheiro, sobretudo quando nos entra assim pela casa dentro sem nós contarmos, nos dá muito jeito. Mas também não ganhei nenhuma fortuna, não é?”, acrescenta. O prémio nem sequer alterou a rotina de jogo daquela pastora, que todas as semanas aposta os mesmos dois euros de sempre, ou seja, uma única chave. “Olhe, sempre joguei por jogar, quase por descarga de consciência. Muitas vezes nem sequer conferia os boletins, para ver se tinha prémio. Não sou rica mas, graças a Deus, tenho quase tudo o que preciso. Sou feliz e isso é o mais importante de tudo”, confessa. Maria do Carmo está casada com um agente da GNR e tem uma filha de 23 anos que está “a acabar Farmácia”, na Universidade, no Porto.
Jornal de Notícias
Pastora de Melgaço – Reportagem SIC