
Há uma longa série de clichés associados ao fado. Por exemplo, o fado tem que ter guitarra portuguesa. Os Deolinda não usam guitarra portuguesa. Ou, o fado tem que ser sisudo, sério, compenetrado, fatalista e triste. Os Deolinda não são nada disso. Ou ainda, o fado não pode ser dançado. E dança-se com os Deolinda. Ou, para terminar, a fadista tem que vestir de preto, como se estivesse no seu próprio funeral. Ana Bacalhau, a voz dos Deolinda (a Deolinda, ela própria?), veste roupas garridas, alegres, coloridas. Mas os Deolinda são… fado, apesar disso tudo, e são muito mais que fado, por causa disso tudo e de tudo o mais que a sua música contém. Uma música que vai à música popular portuguesa – um universo que aqui abarca José Afonso e António Variações, Sérgio Godinho, Madredeus e os «muito mais que fadistas» Amália Rodrigues e Alfredo Marceneiro – e vai ainda à rembetika grega, à música ranchera mexicana, ao samba, à música havaiana, ao jazz e à pop, numa confluência original e rara de músicas-irmãs ou primas umas das outras e que, nos Deolinda, fazem todo o sentido. O lançamento oficial de “Canção ao lado” está marcado para hoje dia 7 de Maio no Cinema São Jorge, em Lisboa, mas a agenda de concertos já está bastante preenchida para os próximos tempos, com passagem garantida, por exemplo, para o festival de música de Loulé, em Junho, e para o Sudoeste, em Agosto.
Video apresentação dos Deolinda.

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Um projecto a acompanhar sem dúvida.Muito bom…
Publicado por O Toininho 
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